anotações sobre as imagens

resolvi, esta semana, quem sabe, o último problema antes da partida em direção à banda oriental, dia 13 de janeiro, daqui a alguns dias: o armazenamento das imagens – fotos e vídeos – que realizarei durante a viagem.

contextualizando: não estava seguro com os dois cards de 64 Gb e um terceiro de 32 Gb de minha gopro hero 4, considerando a qualidade das imagens que ela gera, pesadas, e levando em conta que cartão não é lugar para armazenar fotos e vídeos por muito tempo.

em particular porque, após a viagem, pretendo fazer um documentário da operação banda oriental, além de um livro, de forma que todos cuidado com as imagens é pouco.

pra complicar, a capacidade de mémoria do tablet M7S quadcore – 8 Gb -que comprei pra viagem não permite que se baixe, nele, as imagens; só leitura, de maneira que, até ontem, a saída era rezar para que os cartões dessem conta do problema, já que meu HD externo antigo simplesmente não dialogava com o tablet.

o problema foi resolvido por meio de um HD externo da toshiba de 1 Tb – canvio basics, que dialoga perfeitamente com o sistema android do tablet.

hd-externo

ou seja, agora, ao final de cada dia, posso transferir tranquilamente as imagens da gopro para o HD externo, via tablet, tudo organizado em pastas, que é pra facilitar a edição dos vídeos mais tarde.

com o agravante que, contando os cabos, representa bem pouco peso a mais na carga total da bike, a um custo relativamente baixo, caso algo dê errado, o que, sinceramente, espero que não ocorra.

legal, né?

sempre se aprende alguma coisa

estrada da morte e caminhos dé

não sei se gostei do e-book “estrada da morte & caminho da fé (histórias, viagens, fotos e bobagens… Livro 1), de josé vanderlei dissenha,  edição do autor, pela 99 e-books (2015).

são duas histórias relatadas aqui, como o título sugere.

na primeira – estrada da morte – um downhill de aproximadamente 60 km por uma das estradas mais perigosas da bolívia.

interessante.

na segunda – caminhos da fé – uma trip pelo interior de são paulo e minas até a cidade de aparecida, onde fica o santuário católico de mesmo nome; viagem repleta de lama, sob muita chuva e com outros perrengues mais.

por que não gostei?

em primeiro lugar porque é um relato muito apressado, descritivo, tipo: “aí eu fiz, isso, depois fiz aquilo e somente então”.

depois, porque não está revisado, e isso torna o texto muito chato de ler, por motivos, parece-me, evidentes.

mas se vale a leitura, claro, porque sempre se aprende alguma coisa; a minha fiz no kindle.

no meu caso, de todos os livros que li até agora sobre cicloturismo, é o primeiro que fala claramente onde a bike foi guardada quando ele dormia em hotéis e pousadas.

parece bobagem, eu sei, mas isso me preocupa: quando eu for acampar, sem problemas, mas quando eu dormir em hotéis, haverá lugar para o equipamento? posso deixá-lo no quarto comigo? tem taxa extra, como com os carros?

neste sentido, a leitura foi importante.

leia, tire suas próprias conclusões.

dois livros que devem ser lidos

havia tempo não falava de leituras realizadas aqui nos registros da operação banda oriental, ainda que, à medida do possível, esteja atualizando o link leituras de viagem.

o fato é que, nas últimas semanas, li dois livros: “transpatagônia: pumas não comem ciclistas” (Kalapalo, 2015), de guilherme cavallari – autor do documentário homônimo, disponível no netflix, e “trilhando sonhos: 365 dias de bicicleta pela américa do sul”, de thiago fantinatti (extremos, 2014).

sobre o transpatagônia, livro que TEM de ser lido por que, como eu vai pegar a estrada ali na frente, ainda que a roda de cavallari, entre chile e argentina, exige no mínimo um bom conhecimento de causa do que significa condições extremas sobre duas rodas.

um trecho do release de apresentação do livro, que tem sua versão filme, como disse, no netflix:

“Por exatos 180 dias, ou 6 meses, percorri 6.000 km de bicicleta sozinho por toda a extensão da Patagônia e da Terra do Fogo, tanto no Chile quanto na Argentina. Ao longo do caminho abandonei momentaneamente a bike e caminhei por trilhas acampando e explorando. Uma viagem sonhada e adiada por décadas. Um daqueles sonhos de criança, que acompanham nossa adolescência e juventude, para depois nos atormentar durante toda a fase adulta da vida. Até que finalmente ela aconteceu!

Engraçado como as prerrogativas, prioridades e responsabilidades interferem em nossos sonhos. Não é que os sonhos perdem importância, mas são soterrados por uma infinidade de outras imagens e sensações que terminam por ocupar quase todo o espaço físico e mental (…)”

não é pouco, vamos combinar.

“trilhando sonhos”, por sua vez, que li no kindle, tem a pegada do livro de cavallari, sentido de uma aventura de fôlego – e foi, acreditem – mas se diferencia, e isso é uma coisa bem legal, porque fantinatti, ainda que pedalasse, não era especializado em aventuras, como o autor de “transpatagônia”.

TEM de ser lido, igualmente.

seus relatos, portanto, são muito mais impressionistas, sentido de registrar as transformações ocorridas pela caminho em sua forma de ver o mundo, que técnicas, ligadas ao cicloturismo, ainda que cavallari não se furte disso.

um trecho:

“Mais que descobrir a América, acabei descobrindo gente! Isso me marcou profundamente. O que me dava forças para seguir depois de uma despedida era justamente o fato de saber que a próxima pessoa importante, o próximo personagem do meu livro, estaria esperando para ser descoberto nos próximos quilômetros. E sempre aparecia alguém, sempre. No meio de tantas variáveis desconhecidas, esta era uma constante que eu entendia cada vez melhor. Ainda sinto muita saudade dessas pessoas especiais que cruzaram meu caminho. Quem seria e onde eu encontraria o próximo personagem?”

então era isso. leiam os livros. vale cada linha. o cicloturismo agradece.

TranspatagôniaTrilhando sonhos

 

o mundo sem anéis

livros sobre viagens de bicicleta estão se mostrando muito importantes nesta etapa de minha preparação à operação banda oriental, em particular porque potencializam a dimensão humana das experiências, coisa que me interessa demais.

ou seja, nem tudo é quilômetro percorrido, distância alcançada, perrengue superado: tem tristeza, alegrias, frustração, saudade; essas coisas assim tão humanas.

é o caso do “o mundo sem anéis: 100 dias de bicicleta” (Longe, 2013), de mariana carpanezzi.

a moçoila, além de escrever bem, traz pra narrativa uma dimensão muito particular, muito pessoal.

nela, o pedal, a estrada, o caminho têm a ver antes com (re) descobrir-se que com chegar onde quer que seja.

mariana tem um blog muito legal, também: o surina mariana.

quem quiser comprar o livro pode fazê-lo por aqui – custa R$ 40,00; eu estou lendo no kindle, mais em conta: R$ 6,00.

confere lá.

O mundo sem anéis - cem dias de bicicleta

 

homem livre ao redor do mundo

outra dica bacana para quem está se organizando para pegar a estrada, meu caso, é o livro “homem livre: ao redor do mundo sobre uma bicicleta“,  de danilo perroni machado (ciao ciao editorial, 2015).

o cara viajou três anos e três dias por 59 países, em um percurso de mais de 50 mil quilômetros.

estou lendo pelo kindle, e gostando muito.

mas penso que o livro peca um pouco porque aposta mais nas transformações que estão se dando com perroni – muito legais, diga-se – ao longo do caminho que nos detalhes, sempre tão necessários.

tem particularidades, claro: a quilometragem, os perrengues, essas coisas, mas a narrativa aposta mais, como disse, no processo de transformação a que nós, peregrinos, passamos em jornadas como estas.

tipo: já estou na itália com ele e ainda não sei quanta grana ele levou pra viagem, e nem onde guardou o dinheiro ao longo do pedal.

essas coisas.

mas vejam com seus próprios olhos.

vale a pena.

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