sobre a paura dos amigos e outros medos mais

esta semana estou vivendo, muito provavelmente, uma das etapas mais difíceis da operação banda oriental, marcada, fundamente, pela a) angústia (e essa hora de partir que não chega?!) e pelo b) medo das pessoas ao meu redor sentem em relação a viagens como a minha.

no que toca à ansiedade, é segurar a onda e pensar nos detalhes: depois de amanhã – sexta, dia 13 de janeiro – embarco em “la negra 2” e me largo rumo à banda oriental, via BR-471 até a fronteira e de lá uruguai afora.

então está tudo bem quanto a isso.

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problema todo é a “paura” que muitos de meus amigos, parentes e conhecidos estão sentindo desde agora, o que se manifesta, via de regra, por olhares carregados de piedade, abraços cada vez mais apertados e, em muitos momento, uma certa gravidade nas palavras e gestos.

pensando nisso – ah, como é bom saber que as pessoas se preocupam, mas quão melhor é alguém chegar pra você e dizer algo tipo “pô, cara, que legal; vai fundo, estamos na torcida e tals!…” – resolvi sintetizar, neste post, as três grandes diretrizes que têm norteado minha preparação desde abril de 2016, pelo menos, quando comecei a treinar: condicionamento físico, equipamento adequado e cultura de viagem.

dizendo delas, imagino, digo também dos cuidados que estou tomando em relação à operação banda oriental.

por partes, então:

CONDICIONAMENTO FÍSICO

este item responde, de certa forma, à pergunta que muitos me fazer: “credo, mas 2 mil km não é muita coisa!”?”

depende. é e não é. para os que não estão acostumados com pedaladas mais longas (meu caso, quando comecei), esta distância é impensável.

mas, para os que, como eu já vêm pedalando desde há um bom tempo, e sempre em um crescente – meu último pedal foi de 206 km em um dia – não é muita coisa, não; afinal, cicloturismo é sinônimo, também, de distância.

lembra o que escrevi neste espaço outro dia, no texto repicando post do face?  desde abril, quando comecei a pedalar, percorri 1.575 km – o “pico” foi no mês de agosto – 395,5 km pedalados; a maior distância de uma só vez, em outubro: 206,9 km entre santa cruz do sul e encruzilhada do sul e de lá para cá.

isso no que diz respeito ao condicionamento físico.

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especificamente sobre a parte alimentar, tenho tido acompanhamento regular de minha nutricionista desde então, pensando em perder peso (em março, quando comecei o acompanhamento nutricional, estava com 102,7 kg;  hoje, cerca de 90 kg, peso que considero ideal, considerando meu 1,85 metro de altura.

para a viagem propriamente dita, para além das refeições que irei fazer nos restaurantes dispersos pela estrada, seguirei as seguinte “dicas”:

+ barras de cereais caseiras com mel, que eu mesmo faço, nos intervalos do pedal.

+ frutas secas ( passas de uva, banana chips desidratada e figo desidratado) antes de iniciar o pedal.

+ sementes oleaginosas ( amendoim, castanhas) para lubrificação das articulações, energia de absorção mais lenta, fontes de selênio e magnésio (cansaço) antes de um pedal mais longo (quando eu atravessar o taim, por exemplo).

+ consumo sistemático de repositores eletrolíticos, carb up e gatorade, principalmente: são de extrema importância pra repor os sais minerais perdidos com o calor.

+ carb up sache ddurante o pedal, quando o suor for mais excessivo.

então está tudo bem quanto a isso.

EQUIPAMENTO ADEQUADO

é o item que, muito provavelmente, tenho prestado mais atenção desde que comecei a me preparar, a começar pela bike, uma  cannondale 29″ trail 5 preta – la negra 2 – que comprei na faccin bicicletas, apoiador da operação banda oriental, ainda em junho do ano passado.

pensando em sua manutenção – “e se furar um pneu? e se a correia estourar? e se…” – fiz um curso de manutenção em julho de 2006, ainda, que me ensinou basicamente como proceder e estou viajando com duas câmaras e uma corrente extra; com as ferramente necessárias à troca de um e outro, sem falar, claro, nos equipamentos de segurança, tais como câmara, óculos, espelho, capacete etc.

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a primeira corrente remendada a gente não esquece!

roupa? de ciclismo,  tanto para o inverno (vai que esfria? que chove?) como para o verão, claro.

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comecei a pedalar no inverno; estou equipado de houver frio na estrada

onde dormir? em hotel, pousada, camping, postos de gasolina; onde der e for seguro, enfim. nos alforges, além de barraca, estou levando saco de dormir, rede e uma manta de lã, para alguma necessidade.

CULTURA DE VIAGEM

tenho adquiro de três formas, principalmente: por meio do contato com outros ciclistas (pessoalmente, pelas redes sociais ou por este espaço); nas pedaladas que tenho dado (sempre se aprende alguma coisa, por menor que seja o percurso); e, também, por meio das leitura de livros e reportagens a respeito do tema. no link leituras de viagem deste blog, por sinal, comento algumas das leituras que tenho feito.

a mais leitura mais recente, que eu classificaria como imprescindível, foi o manual de mountain bike e cicloturismo (kalapalo, 2012), de guilherme cavallari.

como o nome sugere, encontramos, no livro, muito do que precisamos saber antes de partir, tudo isso ilustrado e descrito de forma muito clara e precisa.

Isso tudo em 178 páginas repletas de fotos, tabelas e ilustrações. o preço sugerido no site é de R$ 39,00 e eu, como disse, recomendo muito, sejamos iniciantes ou profissionais.

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mais tranquilos, agora? legal! vamos juntos, então: faltam apenas dois dias, contando com hoje, para o momento da partida, e é preciso arrumar os alforges, ainda.

quase na hora de partir, moçada

contando hoje, faltam, literalmente, três dias para o início da operação banda oriental, agora, dia 13 de janeiro, sexta-feira.

ainda que esteja evitando previsibilidades ao máximo, estou louco para entrar de uma vez por todas em terras uruguaias, o que torna os três ou quatro dias que devo pedalar no brasil de certa forma angustiantes, ainda que necessários, pensando nos lugares distantes.

por isso cuidei de estudar o roteiro até o chui/chuy, de forma que possa fazer uma pedalada a um tempo prazerosa e técnica, considerando que conheço relativamente bem o trecho que pedalarei pela BR-471 e cuja altimetria máxima será de 2.388 metros.

de terras uruguaias em diante quero viver um pouco a experiência do acaso, do pouco previsto.

o roteiro inicial será o seguinte:

  • 13 DE JANEIRO, SEXTA-FEIRA

PARTIDA: entre 6 e 7 horas da manhã.

ALMOÇO/REPOUSO: Encruzilhada do Sul, a 100 km de Santa Cruz do Sul

PERNOITE: propriedade de um amigo em Vau dos Prestes, A 45 KM de Encruzilhada do Sul, à margem da BR 471

DISTÂNCIA PERCORRIDA 1º DIA: 162 km

  • 14 DE JANEIRO, SÁBADO

PARTIDA: entre 6 e 7 horas da manhã.

ALMOÇO/REPOUSO: Posto Fita Azul, Canguçu, 69,9 km de Vau dos Pestres

PERNOITE: Hello Hostel, Pelotas, distante 56 km do Posto Fita Azul

DISTÂNCIA PERCORRIDA 2º DIA: 124 km

  • 15 de JANEIRO, DOMINGO

PARTIDA: entre 6 e 7 horas da manhã.

ALMOÇO/REPOUSO: Rio Grande, distante 75,3 km de Pelotas

PERNOITE: Reserva Ecológica do Taim, a 47,3 km de Rio Grande

DISTÂNCIA PERCORRIDA 3º DIA: 122,6 km

  • 16 DE JANEIRO, SEGUNDA-FEIRA

PARTIDA: entre 6 e 7 horas da manhã.

ALMOÇO/REPOUSO: em algum lugar à beira da estrada

PERNOITE: Chui/Chuy, na fronteira com o Uruguai

DISTÂNCIA PERCORRIDA 4º DIA: 163 km

DISTÂNCIA PERCORRIDA NA PRIMEIRA ETAPA (Brasil/Uruguai): 571,6 km

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descansar também será preciso

tão importante quanto minha capacidade de pedalar será a qualidade do tempo descansado durante a operação banda oriental, e não só à noite, quando do necessário sono.

penso, em princípio, fazer pequenos intervalos de descanso a cada 30 km, ou 1h30 de pedal (minha média é 20 km/h), e uma parada mais longa depois do almoço, de duas a três horas.

as primeiras, breves, têm a ver com a capacidade de ir adiante; as segundas, igualmente, mas de forma mais profunda e também por causa do calor.

a estratégia será a seguinte: pedal desde cedo – 6 ou 7 horas – até 11 horas, meio-dia. almoço e descanso prolongado até 15 ou 16 horas em alguma sombra à beira do caminho.

depois, pedal novamente até umas 20 horas, quando chegará a hora de dormir, onde for possível – levarei comigo barraca e saco de dormir.

pensando nos descansos pós-almoço, levarei junto, ainda, duas alternativas: uma manta de estender no chão e uma rede ntk, modelo kokun.

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a rede é bem prática – 195 cm de largura; 300 cm de comprimento, tecido em poliamida (nylon), mosquetes de alumínio e cordas em polipropileno – e aguenta 150 kg – 60 kg a mais que meu peso atual.

outra coisa legal é que o tecido, respirável, vem com tratamento anti-bactericida e proteção Uv 50+ e repelente contra insetos e cabe em uma bolsa anexada a ela, pequena.

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hoje fiz um teste drive; vamos ver o que acontece na viagem.

 

 

repicando post do face

curiosidade: desde que comecei a pedalar, em abril do ano passado – inicialmente com “la negra” (uma caloi 500, abaixo); depois, com “la negra 2” (canondale mtb), comprada em junho do Luiz Faccin, apoiador da operação banda oriental – percorri algo em torno de 1.575 km.

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os primeiros pedais foram feitos com “la negra”, uma caloi 500

o “pico” foi no mês de agosto – 395,5 km pedalados; a maior distância de uma só vez, em outubro: 206,9 km entre santa cruz do sul e encruzilhada do sul e de lá para cá.

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“la negra 2” foi adquirida em abril de 2016

é possível que seja mais, pois em algum momento esqueci de fazer as necessárias anotações aqui no blog, onde registro meus passos, mas não fica muito longe disso, não.

ou seja, meu treinamento, ainda que basicamente aos finais de semana, percorreu quase a mesma distância que percorrerei nos próximos dias, de 2 mil km, aproximadamente.

legal, né?

(muito, mas muito curioso para saber quem voltará dessa jornada.)

anotações sobre as imagens

resolvi, esta semana, quem sabe, o último problema antes da partida em direção à banda oriental, dia 13 de janeiro, daqui a alguns dias: o armazenamento das imagens – fotos e vídeos – que realizarei durante a viagem.

contextualizando: não estava seguro com os dois cards de 64 Gb e um terceiro de 32 Gb de minha gopro hero 4, considerando a qualidade das imagens que ela gera, pesadas, e levando em conta que cartão não é lugar para armazenar fotos e vídeos por muito tempo.

em particular porque, após a viagem, pretendo fazer um documentário da operação banda oriental, além de um livro, de forma que todos cuidado com as imagens é pouco.

pra complicar, a capacidade de mémoria do tablet M7S quadcore – 8 Gb -que comprei pra viagem não permite que se baixe, nele, as imagens; só leitura, de maneira que, até ontem, a saída era rezar para que os cartões dessem conta do problema, já que meu HD externo antigo simplesmente não dialogava com o tablet.

o problema foi resolvido por meio de um HD externo da toshiba de 1 Tb – canvio basics, que dialoga perfeitamente com o sistema android do tablet.

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ou seja, agora, ao final de cada dia, posso transferir tranquilamente as imagens da gopro para o HD externo, via tablet, tudo organizado em pastas, que é pra facilitar a edição dos vídeos mais tarde.

com o agravante que, contando os cabos, representa bem pouco peso a mais na carga total da bike, a um custo relativamente baixo, caso algo dê errado, o que, sinceramente, espero que não ocorra.

legal, né?