coluna veiculada no site tudo & todas

abaixo, coluna veiculada no site tudo & todas, da folha do mate, de venâncio aires, apoiadores da operação banda oriental.

você acessa a coluna por aqui, ou clicando diretamente na imagem.

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abaixo, texto na integra, já que diretamente da imagem é complicado ler.

Quando é que você parte, mesmo?

Demétrio de Azeredo Soster
professor universitário, jornalista, cicloturista
deazeredososter@gmail.com

A Operação Banda Oriental está chegando em uma etapa curiosa: a pouco menos de quatro meses da hora de partir, e a pouco mais de seis meses desde que a decisão foi tomada – em meados de abril – os preparativos chegaram a uma espécie de limbo existencial, onde pouco, ou quase nada, de diferente acontece.

Calma que eu explico.

No começo, e os que me acompanham aqui no site devem lembrar, tudo eram flores: recordes pessoais quebrados, a cada semana um equipamento novo, desafios em série, erros, acertos os mais diversos; sonhos, muitos sonhos, caminhos antes nunca percorridos, e por aí afora.

Não que isso tenha mudado; melhor dizendo, não que as descobertas não sigam ocorrendo a cada nova pedalada: tudo isso está lá, em seu devido lugar, mas a intensidade não é mais a mesma.

Ou seja, estou amadurecendo, ficando pronto, preparado, e isso significa, em termos práticos, que logo terá chegado a hora de partir.

E sabe o que é melhor? Estou tranquilo – um pouco ansioso, é verdade; mas tranquilo: a hora, como disse, está para chegar; e, quando isso ocorrer, estarei preparado.

O mesmo não posso dizer, no entanto, de meus queridos amigos e parentes, que tanto torcem por mim.

Na relação com o pessoal, próximo ou distante, a situação é um pouco mais complicada.

Tipo: a cada pessoa que encontro, cada vez que digo de minha viagem a alguém, a pergunta, inevitável, acontece: “Tá, mas, afinal de contas, quando é mesmo que você vai?”

Se não for essa, são as variações: “Você vai sozinho mesmo?” (Sim, gente, eu vou sozinho…); “Não tem medo?” (Não, não tenho…), ou, ainda, “Tá, mas a Fabi e o Pedro vão de carro, atrás, né?” (Jesuis…)

Estou começando a achar, inclusive, que, para o bem de minha sanidade mental, talvez eu devesse antecipar a viagem, montar com o photoshop umas fotos em que eu apareça em alguma estrada do Uruguai e postar no face, pedir que algum amigo de lá poste no twiter que me viu passar por pela Ruta 1, essas coisas…

Enquanto não me vem à cabeça uma ideia melhor; afinal, são meus amigos, e estão preocupados – é preciso ser gentil, sigo firme, pedalando, e aprendendo.

Dia dessas, por exemplo, descobri o que não havia percebido, ainda: que, no verão, a neblina pega logo cedo por estes lados, e que, quando isso acontece, não dá para deixar o farolete dianteiro em casa, como deixei.

Foi o que aconteceu outro dia, quando fui e voltei de Pantano Grande pela RS-471, total de 105,75 km percorridos nos dois sentidos; velocidade média de 19,4 km/h, máxima de 44,9 km/h, pulso em 130 bpm na chegada.

A neblina me encontrou em Santa Cruz, ainda, e me deixou somente em Rio Pardo, 35 km depois.

É dizer, por outras palavras, que pedalei no escuro, literalmente por uma hora e meia, pelo menos, e que não posso mais esquecer disso, pois pode ser muito perigoso e tals.

Claro que, depois, o sol apareceu no céu, todo lindão, e aí meus problemas voltaram a ser basicamente o calor e a ausência do protetor solar, mas essa história já contei.

Bora pedalar, então gente; que logo logo terá chegada a hora de partir.

 

Coluna do Riovale Jornal

coluna publicada dia 17 de setembro no riovale jornal, aqui de santa cruz do sul, aóiador da operação banda oriental, agora com foto nova, mas propícia aos dias quentes que se aproximam.

por aqui e diretamente na foto.

abaixo na coluna, o texto na íntegra.

coluna-dia-17-de-setembro

Ainda sobre a nova estação

Foi no pedal da semana passada, quando varei o Jacuí em direção a Pantano Grande, e de lá para cá, em um pedalada de pouco mais de 100 km, que descobri que não é só com o calor que devemos nos preocupar, os cicloturistas, no verão.

Melhor dizendo: que não é porque está começando a esquentar que a gente tem de se tornar relapso com os cuidados e preparativos, em particular aqueles que, como eu, farão em breve uma longa distância pedalando – no meu caso, 2 mil km, pelo menos.

Calma que eu explico.

É que, na semana passada, aproveitando a previsão de um domingo ensolarado, sai cedo de casa – às 7h30 – em direção a Pantano Grande, logo depois de Rio Pardo, e distante cerca de 50 km aqui de casa.

A escolha se mostrou acertada de saída: céu azul na Verena, onde moro, e temperatura na casa dos 15ºC e subindo; ou seja, tudo certo.

Calibrei os pneus de “La Negra 2”, minha bike, e segui em direção ao Arroio Grande, de onde pegaria a BR 471.

Ocorre que, ao chegar na altura do Faccin Bicicletas, apoiadores da Operação Banda Oriental, a neblina simplesmente tomou conta de tudo, reduzindo a visibilidade para algo em torno de três ou quatro metros, se muito.

Logo viria a descobrir, ciclista incauto que sou, que ela, a névoa, me acompanharia pelos próximos 35 km, e que só cederia lugar ao sol em Rio Pardo.

Até aí, nenhum problema, não fosse o fato de eu ter decidido deixar em casa o farol da frente, imaginando – afinal, é verão; não é verdade? – que o sol ficaria comigo o tempo inteiro, e baseado no fato de, no inverno, eu não ter enfrentado, nem mesmo na serra, uma pedalada sequer com neblina.

A sinaleira traseira, e a que mantenho fixa em meu capacete, estavam lá, firmes, avisando aos que vinham de trás que havia ciclista na estrada, mas na perspectiva frontal o mesmo não podia ser dito.

Ao cruzar com dois ou três grupos de “speeds” – ciclistas de velocidade – que vinham em direção a Santa Cruz do Sul; portanto, no sentido contrário ao meu, devidamente equipados com faroletes dianteiros – me dei conta da péssima decisão que tomei.

Decisão ruim e arriscada diria, haja vista que, a qualquer momento, poderia ter sido atingido por um carro que, ao realizar uma ultrapassagem, invadisse o acostamento onde eu transitava.

Mas a sorte esteve ao meu lado e deu tudo certo; agora, é cuidar de andar sempre equipado, mesmo que o sol esteja alto.

Vale registrar, ainda, que a névoa atrapalha pra caramba os óculos de proteção, muito embora, nesse caso, e na falta de um “limpador de para-brisa”, uma paradinha rápida para secar a lente resolve.

E o resto do pedal?

Maravilhoso, em especial depois que o sol deu os ares de sua graça, em Rio Pardo, como disse.

Os números: 105,75 km percorridos nos dois sentidos; velocidade média de 19,4 km/h, máxima de 44,9 km/h, pulso em 130 bpm na chegada e algumas queimaduras na coxa, braços e rosto, o que reitera a importância de usar protetor solar na próxima, sem falta.

Bora pedalar, então!

pedalando na neblina sem farol

o pedal de hoje serviu pra reiterar a certeza de que todo o treinamento que fiz até aqui, pensando na operação banda oriental, foi, na verdade, metade do treinamento.

por quê?

porque desde a compra da “la negra 2”, minha bike, em junho, até o estágio atual, formatei todo o treinamento no inverno; com frio, chuva e condições adversas em geral, e agora estamos caminhando a passos largos para o verão, como comentei outro dia aqui.

é claro que aprendi um caminhão de coisas nesse meio tempo, mas verão é outra técnica, outro pedal, e isso não tem a ver necessariamente com o calor, ainda que também.

hoje, por exemplo,  na pedalada que dei até pantano grande (e assim mesmo que se escreve; eu também não gosto), conheci uma face do verão que simplesmente ignorava de bike: a neblina (foto abaixo).

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é dizer, por outra, que, se, na minha casa, havia sol às 7h30, quatro quilômetros adiante, no bairro arroio grande, quase na saída da cidade em direção à BR 471, o horizonte simplesmente ficou branco e permaneceu assim por 35 km, até rio pardo.

por não ter me dado conta que poderia ser assim, e imaginando um dia de céu azul, como de fato foi após às 9 horas, mais ou menos, simplesmente não levei o farol dianteiro; apenas a sinaleira traseira da bike e a que tenho fixa em meu capacete.

resultado: quem vinha de frente, na pista contrária, não me enxergava, é isso pode ser perigoso.

no caminho, cruzei com muitos ciclistas “speeds”, no sentido contrário e com farol dianteiro ligado, o que fez confirmar ainda mais a importância do equipamento.

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mas deu tudo certo e, na altura de rio pardo, o sol deu os ares de sua graça e o dia ficou literalmente lindo.

os números da pedalada, então:

105,75 km percorridos nos dois sentidos; velocidade média de 19,4 km/h, máxima de 44,9 km/h, pulso em 130 bpm na chegada e algumas queimaduras na coxa, braços e rosto, o que reitera a importância de usar protetor solar na próxima, sem falta.

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também quero aproveitar para registrar duas sensações maravilhosas que tive: a primeira, na foto aí em cima, tem a ver com pedalar os pouco mais de 20 km entre rio pardo e pantano do sul, coisa que havia feito apenas de carro, o que definitivamente não é a mesma coisa.

sensação muito parecida com a que tive quando cheguei em pantano grande e olhei em direção a encruzilhada do sul, coisa que farei quando partir em direção ao uruguai, no verão: a vontade de seguir em frente foi grande, muito grande.

por hora, fiquemos com as fotos. por hora,

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