pedal categoria show de bola

vamos lá, então.

estou, neste momento, em faxinal do soturno, na quarta colônia italiana do rio grande do sul, onde moram meus sogros.

cheguei hoje à tarde, depois de um pedal de 119,960 km desde santa cruz do sul até aqui.

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o pedal foi muito legal – fiz o percurso em 5h43 (tempo de estrada; não contei as paradas); velocidade média de 19,5 km/h e pulso entre 140 (nos 60 km) e 157 (nos 100 km).

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na comparação com a semana passada, a pedalada foi muito tranqüila: não cansei em excesso e cheguei bem, apesar de cansado.

isso tem a ver com a mudança de estratégia: dessa vez vez, fiz seis paradas breves, a cada 20 km, ou uma hora de pedal, quando esticava as pernas e comia algo energético.

a nota ruim foi o câmbio, que desregulou e não consegui ajustar; me encheu o saco na segunda metade da viagem até chegar em casa.

sem estresse: é por isso que estou treinando; para que essas coisas aconteçam agora.

na segunda-feira eu vejo isso lá no faccin bicicletas, que apoia o projeto.

bora descansar, então.

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mais pesado, mais magro e mais forte

pedal 23 de junho - lajeado b

a última visita à viviane spacil, minha nutricionista, revelou uma surpresa interessante: estou ficando mais forte; levemente, mas mais forte.

ou seja, sigo perdendo gordura, mas, também, começo a ganhar massa muscular.

isso se deve, principalmente, ao aumento crescente nos quilômetros pedalados – na última, foram 120 km, quando pedalei até lajeado, cidade distante 60 km daqui, e retornei, seis horas depois.

alguns números:

+ o percentual de gordura reduziu de 26,9% para 25,0%;

+ o aumento do peso muscular após a pedalada dos 120 Km foi de 1,3 kg.

+ a redução do peso gordo: 400 g

a cintura, por exemplo, baixou dos 96 cm para os 95 cm, mas o peito aumentou de 106 cm por 108 cm.

significa, em palavras mais simples, que dos 89,90 Kg que eu tinha dia 14 de julho, passei para 90,82 Kg na última consulta, dia 28 de julho.

ou seja, estou mais pesado, mas mais magro. e mais forte.

bora pedalar, então?

 

 

sempre se aprende alguma coisa

estrada da morte e caminhos dé

não sei se gostei do e-book “estrada da morte & caminho da fé (histórias, viagens, fotos e bobagens… Livro 1), de josé vanderlei dissenha,  edição do autor, pela 99 e-books (2015).

são duas histórias relatadas aqui, como o título sugere.

na primeira – estrada da morte – um downhill de aproximadamente 60 km por uma das estradas mais perigosas da bolívia.

interessante.

na segunda – caminhos da fé – uma trip pelo interior de são paulo e minas até a cidade de aparecida, onde fica o santuário católico de mesmo nome; viagem repleta de lama, sob muita chuva e com outros perrengues mais.

por que não gostei?

em primeiro lugar porque é um relato muito apressado, descritivo, tipo: “aí eu fiz, isso, depois fiz aquilo e somente então”.

depois, porque não está revisado, e isso torna o texto muito chato de ler, por motivos, parece-me, evidentes.

mas se vale a leitura, claro, porque sempre se aprende alguma coisa; a minha fiz no kindle.

no meu caso, de todos os livros que li até agora sobre cicloturismo, é o primeiro que fala claramente onde a bike foi guardada quando ele dormia em hotéis e pousadas.

parece bobagem, eu sei, mas isso me preocupa: quando eu for acampar, sem problemas, mas quando eu dormir em hotéis, haverá lugar para o equipamento? posso deixá-lo no quarto comigo? tem taxa extra, como com os carros?

neste sentido, a leitura foi importante.

leia, tire suas próprias conclusões.

dia de passar da marca dos 100 km

a quem interessar possa: a pessoa, hoje, fez algo que nunca havia feito em sua vida, mesmo nas priscas eras juvenis: pedalar 120 km – um pouco mais de 60 km para cada lado, neste caso de santa cruz do sul, onde moro, até lajeado, passando pela vizinha venâncio aires.

na verdade, o pedalante em questão fez mais: viajou com os alforges instalados em “la negra 2”, sua bike, e com uns dez quilos de carga, mas ou menos – entre estas os apetrechos do mate, para sentir a estabilidade e o impacto no desempenho que o peso causaria.

Mapa pedal 23 de julho

se a média caiu substancialmente, em especialmente na ida, com muita lomba e vento contra – 10 km/h – deu pra fazer o trecho em pouco mais de 6 horas, o que está bom demais, parece-me.

pedal 23 de junho - lajeado a

algumas coisas que aprendi na estrada, hoje:

a) o rodrigo bilheri, parceiro da faccin bicicletas, que apoia a “operação banda oriental”, que me desculpe, mas alforge sem pezinho é ruim demais. na semana que vem instalo um.

b) jaqueta impermeável só em caso extremo, para evitar que o suor se retenha e entre em contato com o frio: hoje fui de blusao sobre a camisa segunda pele, mais a camiseta do faccin, e foi tudo bem, pelo menos até agora, apesar do frio.

c) pretendo pedalar, em média, 80 km/dia. mesmo assim, dividi os 120 km em três horas pela manhã e três à tarde. saí pelas 9h30, com o sol, e retornei de tardezita, o sol ainda alto. no verão terei de sair mais cedo e pedalar até mais tarde, por causa do calor, mas para o inverno, mostrou-se uma boa estratégia.

d) tenho de pensar o esquema telefonia; a bateria do iphone é uma piada de tão fraca.

e) também esta semana instalo farol e sinaleira; não tem como pegar a estrada sem isso.

pedal 23 de junho - lajeado c
só um louco pra levar o mate para a estrada. é verdade!

dois livros que devem ser lidos

havia tempo não falava de leituras realizadas aqui nos registros da operação banda oriental, ainda que, à medida do possível, esteja atualizando o link leituras de viagem.

o fato é que, nas últimas semanas, li dois livros: “transpatagônia: pumas não comem ciclistas” (Kalapalo, 2015), de guilherme cavallari – autor do documentário homônimo, disponível no netflix, e “trilhando sonhos: 365 dias de bicicleta pela américa do sul”, de thiago fantinatti (extremos, 2014).

sobre o transpatagônia, livro que TEM de ser lido por que, como eu vai pegar a estrada ali na frente, ainda que a roda de cavallari, entre chile e argentina, exige no mínimo um bom conhecimento de causa do que significa condições extremas sobre duas rodas.

um trecho do release de apresentação do livro, que tem sua versão filme, como disse, no netflix:

“Por exatos 180 dias, ou 6 meses, percorri 6.000 km de bicicleta sozinho por toda a extensão da Patagônia e da Terra do Fogo, tanto no Chile quanto na Argentina. Ao longo do caminho abandonei momentaneamente a bike e caminhei por trilhas acampando e explorando. Uma viagem sonhada e adiada por décadas. Um daqueles sonhos de criança, que acompanham nossa adolescência e juventude, para depois nos atormentar durante toda a fase adulta da vida. Até que finalmente ela aconteceu!

Engraçado como as prerrogativas, prioridades e responsabilidades interferem em nossos sonhos. Não é que os sonhos perdem importância, mas são soterrados por uma infinidade de outras imagens e sensações que terminam por ocupar quase todo o espaço físico e mental (…)”

não é pouco, vamos combinar.

“trilhando sonhos”, por sua vez, que li no kindle, tem a pegada do livro de cavallari, sentido de uma aventura de fôlego – e foi, acreditem – mas se diferencia, e isso é uma coisa bem legal, porque fantinatti, ainda que pedalasse, não era especializado em aventuras, como o autor de “transpatagônia”.

TEM de ser lido, igualmente.

seus relatos, portanto, são muito mais impressionistas, sentido de registrar as transformações ocorridas pela caminho em sua forma de ver o mundo, que técnicas, ligadas ao cicloturismo, ainda que cavallari não se furte disso.

um trecho:

“Mais que descobrir a América, acabei descobrindo gente! Isso me marcou profundamente. O que me dava forças para seguir depois de uma despedida era justamente o fato de saber que a próxima pessoa importante, o próximo personagem do meu livro, estaria esperando para ser descoberto nos próximos quilômetros. E sempre aparecia alguém, sempre. No meio de tantas variáveis desconhecidas, esta era uma constante que eu entendia cada vez melhor. Ainda sinto muita saudade dessas pessoas especiais que cruzaram meu caminho. Quem seria e onde eu encontraria o próximo personagem?”

então era isso. leiam os livros. vale cada linha. o cicloturismo agradece.

TranspatagôniaTrilhando sonhos